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Blog do TUF Brasil 3, por Vitor Miranda: Episódio 8

Vamos começar nesta semana falando da prova disputada no episódio. Na “Gincana da Ponte”, tínhamos que transportar as meninas-octógono de uma ponta a outra até completar quatro passagens. Foi legal. Pode ser esquisito para quem assiste na TV, mas estranhamente a gente de diverte nessas brincadeiras, pois, como já disse, serve como uma fuga da nossa rotina intensa de treinamentos. Quando você está confinado na casa ou na academia, pequenas coisas te fazem se sentir em contato com o resto do mundo. As locações para as brincadeiras acontecerem já são, por si só, uma atração à parte, sempre um lugar lindo, com muito verde. Por mais bobo que pareça, outra coisa que me agradava muito era poder comer fora sem ter que preparar a comida, pois dia de prova era certeza de café da manhã gostoso em um lugar maneiro rsrs!

A parte ruim das gincanas é que o time verde não consegue ganhar uma! A parte engraçada é que, depois que a gente perde, eu sempre dou a desculpa que entrei no TUF para lutar e não para fazer gincanas, mas na realidade acho que o time verde não teve infância :/

Também rolou muita emoção envolvendo o episódio numero 8. Eu fui um cara que disse para minha esposa antes de entrar na casa do TUF que eu não faria “cenas”, não choraria no programa antes de conseguir ser campeão da temporada, porque o publico que fica até tarde esperando para assistir o programa, não para ver uma novela, mas sim momentos inspiradores e boas lutas.

Eu e minha família passamos por momentos muito difíceis, assim como tantas outras famílias dentro e fora do esporte. Eu concordei que minha história fosse explorada no programa desde que de uma maneira motivadora para os espectadores. Tinha medo que esses fatos fossem usados de uma maneira sensacionalista e que minhas ações dentro do programa soassem piegas demais. No final das contas, a edição do TUF Brasil foi primorosa e conseguiu captar e transmitir para o público a realidade. Pelas centenas de lindas mensagens que venho recebendo nas mídias sociais, tenho certeza que o recado foi enviado da maneira mais correta.

Mas aí veio outro baque que eu não estava esperando, lutar com um companheiro de treino nas quartas-de-final. Claro que já sabíamos dessa possibilidade e achávamos que estávamos mentalmente preparados para quando isso acontecesse, mas a realidade se mostrou diferente assim que o Wand anunciou o casamento da luta. Foi duro.

E antes de qualquer pergunta sobre a decisão do Wanderlei Silva em escolher casar minha luta contra o Montanha, mesmo tendo uma outra opção de escolha, eu já vou explicando: não faço absolutamente nenhum julgamento sobre essa decisão. No mundo real, jamais um evento vai casar uma luta entre dois atletas que dividem o mesmo tatame. Além disso, eu nunca vi problema em ex-companheiros de equipe se enfrentarem ou mesmo amigos pessoais, já que estão trabalhando dentro de uma mesma empresa, estão disputando o cargo mais alto e só existe uma vaga. Se o MMA é um esporte livre de preconceitos, temos que entendê-lo e encará-lo como todos os outros esportes competitivos. Lutar com um amigo ou ex-parceiro de treino não deveria ser diferente de disputar uma partida de futebol contra um camarada que recentemente trocou de time.

Claro que sempre existem algumas exceções onde um lutador jamais lutaria com outro. Vou dar um exemplo aqui: o Antonio Pezão me disse uma vez algo que eu achei espetacular da parte dele: “Se algum dia casarem uma luta minha contra o Rodrigo Minotauro e eu não tiver como negar, perco meu emprego, mas não luto com ele”. Eu posso dizer o mesmo quando se trata de Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro porque esses dois, junto com o próprio Antonio Pezão, me levantaram quando eu não tinha forças para ficar de pé, me resgataram no momento mais difícil que passei e provavelmente passarei até o final da vida. Casos assim não devem nem entrar nessa discussão porque estão totalmente fora de cogitação.

No meu caso e do Montanha, a situação foi um pouco diferente e muito intensa para nós dois por dois principais motivos: primeiro porque nós não somos ex-parceiros de treinos ou apenas amigos; na verdade nós estamos juntos todos os dias na academia, um ajudando o outro e um sabendo dos objetivos e anseios do outro. Outro motivo é que esta competição só permite que um avance e isso significa que quem perde poderá não assinar com o UFC, tendo que refazer sua caminhada até ter outra oportunidade dentro do maior evento de MMA do mundo.

Eu estava disposto a lutar com todos ali dentro, não me entendam mal, até porque todos queremos o melhor para nossas carreiras. Mas não importam as circunstâncias, é realmente uma situação muito estranha e desconfortável, por isso o desabafo ao final da luta.

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